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| Leonardo Vasconcelos |
Leonardo Vasconcelos formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco no ano passado. Em vez de documentário ou programa de rádio, resolveu fazer um livro-reportagem. Visão de Jogo: um outro olhar sobre o esporte, foi defendido em outubro de 2006 e marcou o início da carreira. "Foi aprovado com nota dez e louvor, e também venceu o último Prêmio Cristina Tavares na categoria estudante", lembra o jornalista. Ele escolheu o tema devido ao interesse pela área esportiva e o desejo de fazer algo diferente. "Como o próprio nome indica, o livro teve como tema o universo esportivo visto por ângulo diferente. Ou seja, procurei direcionar o olhar do leitor para revelar singularidades dos campos e quadras. Meu objetivo foi apresentar um lado do esporte, enquanto palco rico de emoções e sonhos, e ambiente fértil de histórias de vida, quase sempre ligadas ao desejo de mobilidade social", explica.
Para terminar o audacioso trabalho, Leonardo teve alguns obstáculos antes de conquistar os frutos do projeto inédito. "A fase mais difícil foi o trabalho de campo. Para escrever o livro, visitei todas as regiões de Pernambuco em busca das melhores histórias e personagens. Entre elas, o futebol feminino em uma comunidade remanescente de quilombo no Sertão, campeonato de cortadores de cana no Agreste, torneio de boxe no Aníbal Bruno e competições de futsal na Fundac de Abreu e Lima, na Zona da Mata”, lembra. De acordo com o jornalista, o aprendizado durante a fase de elaboração do livro e o Prêmio Cristina Tavares foram importantes para alavancar a carreira profissional. "Logo depois de formado, passei a prestar serviço para a editoria de Esportes do Jornal do Commercio, onde tinha estagiado antes. Também fiz alguns freelances em outras áreas. No momento, estou trabalhando como repórter da TV Golfinho, em Fernando de Noronha", destaca.
Em relação ao jornalismo esportivo nos impressos brasileiros, Leonardo percebe um engessamento no tratamento das modalidades esportivas. “De forma geral, o jornalismo se encontra restrito apenas ao futebol e ao acompanhamento de campeonatos, quando, na verdade, o universo esportivo é bem maior e mais rico. Esta realidade se reproduz também em Pernambuco. Embora alguns profissionais e veículos tentem lançar um olhar diferenciado, em grande medida a visão é ainda muito restrita.”
Vasconcelos acredita que a mudança de atitude deve partir dos jornalistas. “As redações não estão fechadas às boas idéias. Elas sempre são aceitas e valorizadas no ambiente de trabalho. Cabe ao repórter se inquietar, pesquisar, estudar e ter a coragem de propor algo diferenciado. Quanto ao dito enlatamento, algumas pessoas dizem, por exemplo, que os jogadores de futebol têm o mesmo discurso, respondendo sempre da mesma forma, mas a responsabilidade maior é de quem questiona as mesmas coisas. Em outras palavras, a iniciativa de superar esse modelo deve partir do próprio profissional”, ressalta. Segundo Leonardo Vasconcelos, “o mercado de jornalismo, como um todo, se encontra saturado. Independentemente se estudante ou profissional, a capacidade de absorção dele ainda é muito tímida. No entanto, essa dificuldade não deve servir como barreira, mas sim como incentivo para os estudantes que estão aprendendo a amar o ofício e têm algo a oferecer”. |