Contando com moderna tecnologia de animação em 3D, Até o Sol Raia é uma referência para aqueles que buscam a verdadeira arte de fazer animação. O curta que possui apenas 12 minutos, e foi feito basicamente no Autodesk 3ds Max, trava uma verdadeira batalha entre esta nova tendência de fazer cinema e os filmes que retratam a cultura popular, sempre ao seu estilo clássico. Prevalecendo a simplicidade de um velho artesão e suas criaturas feitas em barro. O filme, que foi exibi-do em alguns estados do país, com destaque para Pernambuco e João Pessoa, foi vencedor de prêmios importantes do segmento. A indicação para a Melhor Primeira Obra é apenas uma das conquistas alcançadas. Além desta, pode-se fazer re-ferência também à Melhor Animação Brasileira, premiação que foi divulgada pelo Anima Mundi e o concurso de melhor roteiro, o Ari Severo-Firmino Neto.
O curta teve dois diretores, Fernando Jorge e Leanndro Amorin, eles participaram de todas as etapas do curta, desde os argumentos do roteiro e a pós-produção, até a direção geral. De acordo com Fernando Jorge, a experiência foi ímpar, provando para si mesmo que não bastava ter a iniciativa, contudo trabalhar bastante em cima dela. “Nós, trabalhamos como loucos, sobretudo na conclusão. Sem falar dos trabalhos que tínhamos que fazer paralelamente. Ganhar o prêmio Ari Severo-Firmino Neto, promovido pela Prefeitura da Cidade do Recife e o Governo de Pernambuco, não foi fácil”, afirma.
Duas empresas pernambucanas ficaram encarregadas na produção, a Fantoche Stúdio e a Página 21. De acordo com Rafael Coelho, que é produtor da Página 21, o trabalho foi o suficiente para ganhar o respeito e o carinho das pessoas. “Por mais que se trate de um período de três anos, o que é muito tempo, resultou num trabalho muito positivo e gratificante”. Opinião também defendida pela colega de trabalho Claudia Moraes. “Os prêmios que já ganhamos é a prova disso. A exibição do curta não vai parar por aí”. Claudia, que tam-bém é a responsável pela parte financeira da Página 21, informou que algumas empresas foram fundamentais para a conclusão do curta: “O Canal Brasil, a Faculdade Maurício de Nassau, o governo do Estado com o Funcultura, todos, da forma que puderam, nos ajudaram bastante”.
No Recife, o filme foi exibido pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). De acordo com a direção do espaço, cerca de 200 pessoas compareceram às sessões realizadas. Aplausos e apoio não faltaram, como explicou o coordenador de Comunicação da Fundaj, Luiz Silva. “É um filme tecnicamente impressionante. Aproveita de forma bem-humorada a temática nordestina numa linguagem cinematográfica. Era impossível não agradar”. Lidar com a tradição nordestina de forma bem peculiar, foi um dos pontos altos. Desde o início, percebe-se a sofisticação que foi empregada no filme, o que inclusive não ofuscou o brilho dos foguedos do Interior. Dessa forma, a intenção de expor o imaginário popular, com sua riqueza de sonho e fantasia, foi alvo fácil para os diretores.
Neste momento o curta está inscrito em alguns festivais do país e do mundo. Entre eles, o Festival de Brasília, o Festival Internacional de Havana (Cuba), o Festival de Huelva (Espanha) e o Festival de Cinema Luso-Brasileiro, que ocorrem nos próximos meses.
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