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pe360graus

   Ano IX | 15 Dez 2007 - 15 Jan 2008 | nº 96 | Capa: Aliança Comunicação (PE)

     
PAPEL FOTOGRÁFICO

Tenório Cavalcanti
tenoriocavalcanti@gmail.com
 

Se não fossem os bancos de imagem da internet, o espaço para os fotógrafos publicitários seria bem mais amplo, e as peças publicitárias, feitas nos melhores moldes, acompanhando desde o início, a concepção criativa e os briefings que correm da rua até a agência, desenfreados e loucos para serem bem cumpridos e que o feedback seja o melhor possível.

A fotografia publicitária está virando artigo de conveniência e transformando anúncio em “arte-em-escala”. Se pega uma foto de uma moça americana, recorta-se com o bendito photoshop, insere-se a marca retraçada do cliente do ladinho, pinta-se ali uma frase legal, e... Tcham-ram! Eis uma arte pop, eis uma mensagem publicitária. Foto + frase = vender peixe (enlatado, é claro).

Antes mesmo de existir profissional de publicidade, o fotógrafo já fazia o seu papel em propagar, tornar público e vender imagens, sejam elas de cunho comercial ou pessoal, o que foi se tornando artigo indispensável em qualquer ferramenta de comunicação. No cinema, no circo, nos eventos sociais... Na confecção de anúncios, por passar a mensagem antes mesmo da inteligência contida no texto-científico-publicitário.

Mas, ainda, nos tablóides, nas paredes, nos outdoors, nos ônibus, nas fachadas, e até mesmo nos corpos humanos, lá estão, não só mensagens publicitárias, como também as artes que se confundem com um simples artifício profissional/intencional vendedor de propaganda. O produto sai de cena e dá lugar a composição fotográfica. Publicitária ou não, dá lugar a uma imagem que causa, e o papel da imagem expressa pela inteligência de um fotógrafo é causar, mesmo.

É impossível imaginar a publicidade sem o recurso da fotografia como suporte. A imagem que dá luz, movimento, cor, vida! Um texto pode ser chocante e emocionar ao ponto de fazer cair lágrimas, mas a fotografia revela muito mais que qualquer idioma possa expressar, argumentar ou convencer.

Em cada foto há um mundo, e em cada mundo uma amplitude de possibilidades. Perdão aos meus colegas redatores publicitários, mas entre nós e Ela, eu fico com a segunda opção, e ainda revelo: vou muito ao banco de imagens antes de compor um texto. Lá me inspiro, me oriento, vivo outros mundos, inspiro imagens e transpiro resultados na publicidade.




     
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