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| Filipa Moura e Castro |
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“Quer tc?”; “Tais tc de onde?”; “Qts anos vc tem?”; “Ql. teu nome?”; “Como vc é?”; “Vc tem namorada (o)?”, “Vc tem foto?”; “Tem MSN?”. Quem já entrou em uma sala de bate-papo provavelmente se deparou com essas perguntas, consideradas de praxe para se iniciar um contato virtual, que pode ser uma mera conversa ou até um romance. Foi pensando nisso que a jornalista recém-formada Filipa Moura e Castro baseou-se para desenvolver o projeto Eros Virtual: sobre os relacionamentos on-line e a construção da paixão virtual. Tratando-se de uma grande reportagem, o trabalho é dividido em dez reportagens menores, muitas delas desenvolvidas através de experiências próprias.
A idéia de falar sobre namoros virtuais surgiu de experiência da autora no assunto. “Tudo começou quando tive acesso à internet pela primeira vez. Entrei em uma sala de bate-papo com o apelido A_Poetisa_do_Amor e acabei por conhecer o Poeta_Solitário”, comenta a jornalista. E complementa: “Assim, o Eros Virtual veio da vontade de contar aquilo que há muito tempo era uma realidade para mim e de uma necessidade urgente de fazer alguma coisa diferente como projeto”.
Como o tema escolhido provocava grandes discussões a respeito do comportamento dos internautas, que poderiam mentir no ato da paquera on-line, foi necessária grande vivência de Filipa para poder entender o comportamento no relacionamento virtual. “Criei várias personagens virtuais e fui à luta, entrei em várias salas de bate-papo, ou melhor, entramos. Quando comecei (em 2000) éramos três, mas hoje já somos oito, todas bem diferentes umas das outras. Isso tudo foi o que fundou as bases para a pesquisa da minha monografia”, argumenta.
Apresentando dados curiosos, o Eros Virtual demonstra ser um projeto inovador. Entre os estudos levantados, está o que demonstra a possibilidade do relacionamento sair do campo virtual para o real. A pesquisa, realizada em 2005 pelos Drs. Jeff Gavin e Adrian Scott, da University of Bath, e pela Dra. Jill Duffield, da University of the West of England, utilizando 229 pessoas entre 18 e 65 anos que freqüentavam sites de relacionamentos no Reino Unido, constatou que 94% dos casais formados desta maneira concordaram com um segundo encontro.
O Eros Virtual também ajuda a esclarecer alguns equívocos, começando por desfazer a crença de que a mulher é mais carente e vulnerável e demonstra um envolvimento maior nos relacionamentos. No ciberuniverso, a pesquisa constatou que, os homens se comprometem mais com o relacionamento via internet, sendo mais apegados e dependentes de suas “e-partners” (parceiras/namoradas virtuais). Enquanto as mulheres tendem a ter relação de auto-estima elevada.
Mesmo enfrentando muitas barreiras, o projeto Eros Virtual recebeu elogios e rendeu a nota 9,5 para a jornalista, formada pela Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso). Ela comemora: “O importante foi ter conseguido passar a mensagem certa, numa linguagem clara com um toque de romantismo, coisa difícil de ser aceita pela academia, mas minha banca gostou”. Com o fim da defesa, Filipa Moura e Castro deixou o seu recado: “Em cada lugar que encontramos uma pessoa para nos relacionarmos existem riscos diferentes, a internet não é a exceção. Mas o que realmente conta é se nós vamos paralisar diante desses riscos ou pular no abismo do amor e esperar sermos resgatados por alguém que nos ame”. |