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| Beatriz Ivo, diretora de jornalismo da TV Jornal |
Produtor de conteúdo. De acordo com Beatriz Ivo, diretora de Jornalismo da TV Jornal, durante palestra na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), essa será a nova qualificação do profissional de jornalismo com a intervenção em curso com o padrão digital de transmissão televisiva. Segundo a representante do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, um dos maiores conglomerados de mídia do Nordeste, a empresa se prepara para receber a nova tecnologia não somente com a substituição de infra-estrutura técnica, mas planeja, também, uma revisão na organização de pessoal, com a criação de redação multifuncional e novo método de treinamento para estagiários de jornalismo dentro da perspectiva da convergência: o estudante terá que executar as tarefas de todos os veículos do grupo.
De acordo com a diretora da TV Jornal, o produtor de conteúdo poderá ter visão mais ampla do que um jornalista tem, que trabalha de forma segmentada: "ou está numa redação de impresso, ou está num jornal on line", explicou. O Sistema JC estuda mudanças do programa de estágio. A idéia é ampliar o período de conhecimento para que os estudantes possam conhecer a produção de conteúdo de todos os veículos. "É a nova realidade de mercado". A diretora prevê que a necessidade do consumidor de informação não será mais a informação “pronta”. O público será grande parceiro. "Outros tipos de comunicação, como a via internet, têm a participação do usuário. Eles hoje já participam da finalização do conteúdo, principalmente por meio dos sites de relacionamento como o orkut, msn e blogs, por exemplo", explicou.
Para a jornalista, a interatividade é uma lógica da comunicação. "Aquele cidadão passivo que está sentado na cadeira só recebendo informações está com os dias contados". Beatriz lamentou o fato de a TV ter sido o último meio de comunicação que permitiu a participação efetiva do telespectador no produto-final, por causa da limitação técnica da TV para produtos do telespectador. "Os blogs já fazem isso: a foto do leitor está lá, o vídeo, o áudio". A televisão possui muitos movimentos, várias câmeras que proporcionam uma linguagem de show. Por isso, ainda não é possível se fazer imagens de qualidade via internet, mas o consumidor de informações terá, em breve, o celular: "um novo veículo de comunicação", anuncia Ivo. "À nova geração será possível assistir TV, transmitir dados em banda larga, mandar da rua as imagens via celular", prevê.
PROGRAMAÇÃO - "O papel de análise, de apuração, de edição, saber se a notícia tem importância pública continua a valer, mas terá outra linguagem", afirma Beatriz. Cada emissora de TV terá direito a três canais a mais, o que vai demandar conteúdo: programas jornalísticos, serviços bancários, entre outros. "Os novos canais não precisam ser preenchidos com programação de áudio e vídeo, de acordo com a legislação", explicou Beatriz.
"Quem tiver idéia, quem tiver a melhor forma de vender o seu peixe, vai ter quem compre o conteúdo", diz. Como será? O método tradicional via redação? "Dificilmente, pois quem paga a conta dos veículos de comunicação são os anunciantes", explica. O mercado publicitário está retraído e mal sustenta o setor que já existe. "Poderão ser produções independentes", prevê Beatriz, que acredita na possibilidade de maior avanço para a TV da internet: "será mais barato produzir o conteúdo para web". Para ela, as universidades precisam começar a estudar o que será produzido na grande rede de computadores. "A questão da administração é outro fato tão importante quanto o da produção de conteúdo: é preciso haver sustentabilidade e os jornalistas independentes precisam aprender a gerir negócios", finaliza. |