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   Ano VIII | 15 Fev 2008 - 15 Mar 2008 | n° 97 | Capa: Única Planejamento e Comunicação (BA)

     

TV JORNAL SE PREPARA PARA ERA DIGITAL

 

Mário Mendonça

 
 
Beatriz Ivo, diretora de jornalismo da TV Jornal

Produtor de conteúdo. De acordo com Beatriz Ivo, diretora de Jornalismo da TV Jornal, durante palestra na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), essa será a nova qualificação do profissional de jornalismo com a intervenção em curso com o padrão digital de transmissão televisiva. Segundo a representante do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, um dos maiores conglomerados de mídia do Nordeste, a empresa se prepara para receber a nova tecnologia não somente com a substituição de infra-estrutura técnica, mas planeja, também, uma revisão na organização de pessoal, com a criação de redação multifuncional e novo método de treinamento para estagiários de jornalismo dentro da perspectiva da convergência: o estudante terá que executar as tarefas de todos os veículos do grupo.

De acordo com a diretora da TV Jornal, o produtor de conteúdo poderá ter visão mais ampla do que um jornalista tem, que trabalha de forma segmentada: "ou está numa redação de impresso, ou está num jornal on line", explicou. O Sistema JC estuda mudanças do programa de estágio. A idéia é ampliar o período de conhecimento para que os estudantes possam conhecer a produção de conteúdo de todos os veículos. "É a nova realidade de mercado". A diretora prevê que a necessidade do consumidor de informação não será mais a informação “pronta”. O público será grande parceiro. "Outros tipos de comunicação, como a via internet, têm a participação do usuário. Eles hoje já participam da finalização do conteúdo, principalmente por meio dos sites de relacionamento como o orkut, msn e blogs, por exemplo", explicou.

Para a jornalista, a interatividade é uma lógica da comunicação. "Aquele cidadão passivo que está sentado na cadeira só recebendo informações está com os dias contados". Beatriz lamentou o fato de a TV ter sido o último meio de comunicação que permitiu a participação efetiva do telespectador no produto-final, por causa da limitação técnica da TV para produtos do telespectador. "Os blogs já fazem isso: a foto do leitor está lá, o vídeo, o áudio". A televisão possui muitos movimentos, várias câmeras que proporcionam uma linguagem de show. Por isso, ainda não é possível se fazer imagens de qualidade via internet, mas o consumidor de informações terá, em breve, o celular: "um novo veículo de comunicação", anuncia Ivo. "À nova geração será possível assistir TV, transmitir dados em banda larga, mandar da rua as imagens via celular", prevê.

PROGRAMAÇÃO - "O papel de análise, de apuração, de edição, saber se a notícia tem importância pública continua a valer, mas terá outra linguagem", afirma Beatriz. Cada emissora de TV terá direito a três canais a mais, o que vai demandar conteúdo: programas jornalísticos, serviços bancários, entre outros. "Os novos canais não precisam ser preenchidos com programação de áudio e vídeo, de acordo com a legislação", explicou Beatriz.
"Quem tiver idéia, quem tiver a melhor forma de vender o seu peixe, vai ter quem compre o conteúdo", diz. Como será? O método tradicional via redação? "Dificilmente, pois quem paga a conta dos veículos de comunicação são os anunciantes", explica. O mercado publicitário está retraído e mal sustenta o setor que já existe. "Poderão ser produções independentes", prevê Beatriz, que acredita na possibilidade de maior avanço para a TV da internet: "será mais barato produzir o conteúdo para web". Para ela, as universidades precisam começar a estudar o que será produzido na grande rede de computadores. "A questão da administração é outro fato tão importante quanto o da produção de conteúdo: é preciso haver sustentabilidade e os jornalistas independentes precisam aprender a gerir negócios", finaliza.

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