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   Ano VIII | 15 Mar 2008 - 15 abr 2008 | n° 98 | Capa: BPM Comunicação

EM NOME DA VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONAL
Anderson Lima
Nei Bandeira Júnior, diretor da TV Aratu e presidente da ABMP, conversa sobre mercado publicitário, Prêmio ABMP e TV Digital..
 

Nei da Rocha Bandeira Júnior, economista de formação, é casado e tem quatro filhos. Natural de Salvador, Bahia, dirige a TV Aratu (retransmissora do SBT na região), sendo também presidente da Associação Baiana do Mercado Publicitário (ABMP). A entidade, sem fins lucrativos e com aproximadamente 90 associados, foi criada em 1997 para unir agências de propaganda, veículos e fornecedores em torno de um objetivo comum: fazer crescer o mercado local. Entre as iniciativas criadas em favor dessa proposta está o Prêmio AMBP, realizado anualmente desde 2005. “É uma iniciativa que objetiva valorizar o profissional que trabalha nesse mercado, visando profissionalizar cada vez mais as relações que se estabelecem no dia-a-dia das atividades da economia da propaganda. O crescimento do mercado publicitário depende bastante dessa profissionalização”, afirma Nei. Celebrado como a premiação mais democrática do mercado, o Prêmio ABMP não dispõe de júri para a escolha dos indicados às suas 13 categorias, e sim de colégio eleitoral com quase 800 integrantes, entre representantes de anunciantes, agências, veículos e fornecedores de serviços de produção utilizados na propaganda e na comunicação. Na entrevista a seguir, Nei Bandeira Júnior fala um pouco mais da premiação e da própria ABMP. Conversa ainda sobre televisão e TV Digital.

REVISTA PRONEWS – Que importância o Prêmio ABMP possui para o mercado publicitário baiano?
NEI BANDEIRA JÚNIOR – Mesmo com tão pouco tempo de realização, o prêmio já movimentou o meio publicitário baiano, com valorização crescente pelos profissionais que disputam a indicação para ele. De todo modo, há muito tempo pela frente, porque o Prêmio Caboré, que serviu de inspiração para o Prêmio ABMP, completa este ano a 28ª edição. Em 2008, seguramente, o prêmio terá um reconhecimento ainda maior pelo mercado local. Podemos fazê-lo crescer bem mais nas principais praças do interior baiano, como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus e Barreiras.

RPN – O que mudou no mercado desde então?
NEI – O mercado local depende, em grande medida, da publicidade realizada pelo varejo, entendido por todos os segmentos que o compõem. O varejo local tem crescido bastante nos últimos anos, seja pelo aquecimento conjuntural de alguns segmentos, como o imobiliário, de eletrodoméstico e da revenda de veículos, seja pelo surgimento de novos empreendimentos de empresários locais e de fora do Estado. Além do comércio varejista, outro setor que cresce a cada ano é o de serviços, aumentando sua participação relativa na formação do PIB da Bahia. Essa mudança que vem ocorrendo no perfil do PIB, com a crescente participação dos setores de comércio e serviços em sua composição, é uma condição muito favorável para o crescimento dos negócios da publicidade na Bahia nos próximos anos.

RPN – Que outras iniciativas a ABMP promove no estado?
NEI – A ABMP foi criada há apenas nove anos. A Associação Comercial da Bahia (ACB) tem mais de 150 anos de existência. Portanto, há muito o que fazer para que a ABMP se firme como entidade de representação político-institucional desse importante segmento da economia baiana que são os serviços de comunicação e propaganda. Estamos desenvolvendo ações, ainda em âmbito interno, para que ela cumpra a função de prestadora de serviços visando à expansão do mercado local. Uma dessas ações busca a criação de uma linha de crédito especial destinada ao pequeno anunciante. Outra ação, em fase de estudo, visa propor uma sistemática para maximizar a utilização de empresas locais de prestação de serviços de propaganda e comunicação demandados por empreendimentos que se instalam na Bahia. Outro desafio que a ABMP tem de enfrentar é que ela é uma entidade muito soteropolitana e pouco estadual. Ela tem o desafio de se tornar, de fato, uma entidade baiana, estendendo sua ação para o interior. Para as principais praças do interior, ela pode desenvolver ações de treinamento para atender às necessidades em áreas especializadas que estão sendo levantadas em cada praça. Essas atividades deverão ser desenvolvidas em conjunto com a Abap e o Sinapro, porque o público-alvo serão os profissionais das agências e os estudantes das faculdades de comunicação e marketing.

RPN – Como a entidade se relaciona com o mercado publicitário local?
NEI – Em 2007, a ABMP, a Abap, o Sinapro e a Central de Outdoor realizaram o 6º Fórum de Propaganda da Bahia. Em três comissões formadas no fórum discutiu-se os principais temas de interesse da propaganda na Bahia. Uma das comissões tratou das relações das faculdades de comunicação com o mercado publicitário local. Como ocorre em outras áreas na quais se exige conhecimento especializado, o mercado publicitário carece da oferta de profissionais oriundos da academia aptos a enfrentar as demandas existentes. Com freqüência, ocorre a falta do profissional qualificado para ocupar vagas existentes. No final do mesmo ano, foi realizada a terceira reunião pós-Fórum, destinada a discutir com os representantes das faculdades de comunicação as recomendações sobre as relações destas com o mercado. Na oportunidade, foram discutidas as possibilidades de melhor adequação da grade curricular das faculdades de comunicação às reais necessidades do mercado.

RPN – De que modo a TV Digital pode mudar a vida de telespectadores e profissionais que atuam ou desenvolvem trabalhos para o meio?
NEI – Para quem já dispõe de aparelhos de televisão de alta definição, utiliza DVD e tem acesso à internet, as mudanças não serão tão significativas, porque esse usuário se acostumou a uma recepção de som e imagem de excelente qualidade e utiliza a tecnologia digital ao usar o computador. Para o grande público, sobretudo as pessoas mais carentes, os ganhos de qualidade serão maiores, porque eles continuarão tendo uma programação gratuita de bom conteúdo e com qualidade digital. É reconhecida no mundo inteiro a qualidade da programação da TV aberta brasileira. De fato, a digitalização das transmissões televisivas é a única forma da televisão aberta enfrentar a concorrência da qualidade do produto exibido em DVD. Como a TV digital proporcionará canal de retorno para o telespectador, permitindo que ele interaja com a emissora geradora de conteúdo, a digitalização será um instrumento importante de inclusão digital. Ou seja, além do acesso gratuito a uma programação de qualidade, em termos de conteúdo e de recepção de som e imagem, o telespectador terá oportunidade de obter um conhecimento adicional, com as possibilidades que lhes serão oferecidas de interatividade. As mudanças para as empresas e para os profissionais de televisão serão significativas, tanto pelos elevados investimentos na aquisição de equipamentos digitais, quanto porque será uma nova maneira de fazer televisão. E isso terá grande impacto para quem trabalha no meio.

RPN – É fácil fazer televisão em um país no qual todos questionam a qualidade do que estão assistindo, mas não desgrudam os olhos da TV quando do último capítulo da novela ou da noite de “paredão” do Big Brother?
NEI – A televisão aberta sempre foi conhecida por entreter, não por educar. Até o telejornalismo tem tido esse tratamento de ser revestido como um produto, pelo conteúdo da informação e forma de sua apresentação para o telespectador. No Brasil, a televisão assumiu uma importância inigualável se comparada a outros produtos de consumo de massa. São bem conhecidos do mercado dados estatísticos que demonstram que a quantidade de televisores nos domicílios brasileiros supera a de qualquer outro eletrodoméstico. E para quem não tem alternativa de entretenimento e lazer, para quem vive excluído das possibilidades de consumo que se oferecem hoje no Brasil, dispor de um produto com a qualidade técnica da teledramaturgia e dos shows de auditório aqui produzidos, ter em sua casa um comunicador como Sílvio Santos ou um ator como Lima Duarte, de graça, sem gastar sequer o dinheiro do transporte, é absolutamente de uma importância sem igual.

RPN – Durante muito tempo, a televisão foi tratada como uma espécie de babá eletrônica, distraindo as crianças enquanto os pais descansavam de um dia intenso de trabalho. Hoje, o mesmo veículo é acusado de ajudar a transmitir informações inadequadas para os jovens. O que de bom e de ruim a televisão já nos trouxe?
NEI – Muito pior do que os programas que a televisão brasileira pode proporcionar é a falta de educação, de saúde, de segurança e de emprego. Estes, sim, são problemas muito graves que a população enfrenta. Desde 1950, quando teve início a transmissão da televisão no Brasil, nunca se colocou para ela a obrigatoriedade de destinar uma parte de sua programação para veiculação de programas educativos. Ela incorporou, desde o início, o formato da programação da TV americana. E, ao longo do tempo, ganhou uma qualidade própria para melhor. Poderia ter havido uma regulamentação do poder concedente nesse sentido – uma parte do tempo de exibição destinado a programas educativos –, mas não houve.


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