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As índias que preparavam o pirão no século XVI ou os escravos que faziam a feijoada há cerca de duzentos anos já não mais existem. No entanto, as comidas que criaram continuam vivas em nossas mesas e são um laço vivo com o passado do povo brasileiro e com a formação de sua cultura. Foi a partir dessa constatação que surgiu a série de programas Vamos Comer Pernambuco, veiculado pela TVU / TV BRASIL aos domingos, às 19h30, com reprise aos sábados, às 14h30. Os cinco episódios também serão exibidos nacionalmente através do programa Documento Nordeste. Além das exibições que serão feitas dentro do período de cinco meses, serão veiculados, em horário rotativo, 13 interprogramas de 90 segundos e 18 com três minutos trazendo curiosidades.
O objetivo principal do programa é levar ao telespectador uma visão que vai bem mais além da receita de um prato. Antropólogos, historiadores, jornalistas, gastrônomos e escritores como Fátima Quintas, Leonardo Dantas, Maria Letícia Cavalcanti e Bruno Albertim fazem parte do grupo de 38 entrevistados que contribuíram para o processo de pesquisa desenvolvido pela diretora e roteirista da série, Alice Gouveia.
A idéia do projeto surgiu há cerca de três anos, quando Alice, que sempre fora interessada em culinária, começou a pesquisar sobre a comida pernambucana, tendo como referência o trabalho feito pelo sociólogo Câmara Cascudo em seu livro História da Alimentação. Segundo Alice, o programa leva ao formato televisivo um olhar diferente sobre a comida, “desconstruindo” os alimentos criados através de uma visão antropológica e histórica. "A culinária é uma mistura das raças. Na peixada, por exemplo, temos o pirão, que é uma comida indígena, mas também temos o leite de coco, que já é uma herança da cultura negra. Nosso objetivo foi descobrir como surgiram certas comidas", completa a diretora e roteirista do programa.
Outro episódio da série, intitulado "Doces", fala sobre o surgimento dos engenhos, resgatando a herança pernambucana relacionada ao açúcar. Além disso, traz a criação dos doces portugueses e como suas receitas foram adaptadas a outros elementos locais como a mandioca e o milho. Financiado a partir da isenção fiscal da Lei Rouanet e incentivada pela Eletrobrás, os programas foram produzidos pela Oficina de Imagem e são uma síntese de cerca de 100 horas de gravação em diversos pontos do estado de Pernambuco.
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