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| Paulo Pugliesi: "a grande conquista da Folha é a democratização da informação" |
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| Marise Rodrigues, gerente da Rádio Folha de Pernambuco. |
Quando surgiu, a Folha procurou atender à necessidade de um público que não era contemplado pelos outros impressos da cidade. Foram feitas pesquisas e descobriu-se que faltava um jornal voltado para as classes C e D, com qualidade gráfica e, principalmente, preço baixo. Segundo Paulo Pugliesi, diretor executivo do jornal, “a grande conquista da Folha é a democratização da informação”, com um jornal voltado para o que acontece no bairro, desde o esporte amador até a violência.
E exatamente por dedicar um espaço exclusivo para a cobertura policial, com fotos explícitas e textos diretos desde sua fundação, a Folha ainda tem sido duramente criticada. Henrique Barbosa, diretor de redação, diz que o jornal veio para oferecer um tipo de informação que antes não ganhava tanto destaque nos outros jornais. “As pessoas apenas ouviam no rádio as notícias sobre violência, mas não viam o fato e isso causou muita resistência”, admite Henrique. Segundo ele, a auto-suficiência dos bairros da região metropolitana é um fator que contribui para uma cobertura de acontecimentos locais.
Segundo o diretor de redação, o modelo adotado pela Folha seguiu o parâmetro do periódico carioca O Dia, que valorizava notícias populares. Mas com os resultados de pesquisas realizadas ao longo dos dez anos, a diretoria da Folha percebeu que podia alcançar, também, as classes A e B. Para isso, o jornal procura investir na qualidade gráfica e na qualidade dos cadernos de economia, entretenimento, política e colunas sociais. Henrique enumera três elementos que são essenciais hoje para a Folha: “empatia com o público leitor, preço baixo e linguagem didática”.
EVOLUÇÃO – A primeira reforma gráfica, executada pela Extra Comunicação, aconteceu em 2001 e indicou uma grande mudança: a remoção do caderno de Polícia do corpo do jornal e transformá-lo em um caderno à parte, no formato tablóide. O maior objetivo da mudança foi tirar as fotos fortes e coloridas do jornal e atrair mais anunciantes.
Outras mudanças foram a criação dos cadernos Receitas da Semana, que circula aos sábados, e a Revista da Folha, aos domingos; contratação de colunistas como Delfim Neto, Cláudio Humberto e José Sarney; e aumento das páginas das editorias de política e economia. Com essas mudanças, a Folha começou a incorporar leitores das classes A e B, segundo pesquisa do Instituto Ipsos Marplan. Os dados da pesquisa mostraram que, em 2001, 21% dos leitores do jornal eram de classes mais altas.
Em dezembro de 2005, uma pesquisa de opinião com os leitores mostrou a necessidade de mudanças gráficas. A segunda reforma teve foco em aspectos gráficos e editoriais e foi conduzida pela equipe do próprio jornal, sob o comando da editora de arte, Luciane Sousa. O novo projeto gráfico redesenhou o jornal sem que as principais características fossem mudadas: texto sintético, uso de infográficos, fotos em cores intensas, títulos diretos e visual impactante.
Nessa reforma, foram criadas as seções Leia Mais, Acontece e Folha Explica, que têm como função oferecer conteúdo, informação mais didática e dinamizar a leitura. Também foi criado o tablóide Golaço, publicado aos domingos, e o caderno de Grande Recife passou a ser diário. Outro passo importante foi a implantação da editoria Regional, que começou a circular em março de 2006. A partir dessa segunda reforma, passou a circular o caderno Sabores e outros colunistas foram contratados, como Eliane Cantanhêde e Antônio Ermírio de Moraes. Outro avanço foi o aumento nos locais de distribuição do jornal, que passou a circular em todo o estado. Atualmente, a Folha chega a mais de 100 cidades em todo Pernambuco, a outros quatro Estados e ao Distrito Federal.
HISTÓRIA – Há dez anos, um grupo liderado pelo empresário Eduardo de Queiroz Monteiro, que saía do comando do Diário de Pernambuco, montou uma equipe para pensar o novo jornal pernambucano: Eduardo Moraes, Henrique Barbosa, Homero Fonseca, Américo Góis, Sandra Porto, Paulo Marques, Domingos Azevedo, Fernando Veloso e Paulo Pugliesi.
A Folha, hoje, é o principal veículo do Grupo EQM, presidido por Eduardo de Queiroz Monteiro. Mas, junto a ela, existem a Folha Digital, a Agência Nordeste e a Rádio Folha. A Folha Digital disponibiliza o conteúdo completo do jornal, além do conteúdo exclusivo on-line – como as últimas notícias, portal de reportagens especiais, promoções e colunas.
A Agência, criada em 1999, é pioneira no país na captação de notícias do Nordeste, com ênfase em política e economia. Os textos são distribuídos para jornais da Região e para alguns portais com os quais o grupo tem parcerias, como Terra e IG. A Agência tem sede no Recife, com sucursal em Brasília e correspondentes em todas as capitais nordestinas.
A Rádio Folha de Pernambuco – a Folha FM – foi a última aquisição do grupo, em 2004. O mais novo componente do Grupo EQM passou a ter como meta principal atrair o público leitor, que já tinha no seu cotidiano as páginas da Folha de Pernambuco. E dentro desse foco, a grade de programação da Folha FM teve, desde o primeiro momento, notícias, entrevistas, reportagens, comentários, serviço e cidadania. Para a gerente da Rádio Folha, Marise Rodrigues, “o respaldo e o apoio do jornal foram imprescindíveis para que a Rádio já tivesse o reconhecimento do público desde o primeiro momento; a partir daí estamos consolidando fortemente nosso lugar no meio radiofônico, da mesma forma que acontece com a Folha de Pernambuco”. Em todo o estado, são 15 emissoras de todas as regiões. Segundo Marise, a interiorização é uma meta do Grupo EQM.
10 ANOS – A grande festa, com todos os funcionários, só deve acontecer mesmo no final do ano, mas 3 de abril foi um dia de muitas comemorações para o jornal Folha de Pernambuco. Entre as comemorações do aniversário – além da missa em ação de graças realizada na Igreja Madre de Deus, no centro do Recife – o departamento de marketing preparou uma campanha que teve como estrelas alguns dos 45 funcionários que fazem parte da Folha desde a primeira edição. Misturando um jingle, efeitos gráficos e muita animação, o vídeo foi veiculado em canais de grande audiência no Estado. Márcia Regina, diretora de Marketing da Folha, afirma que as próximas campanhas institucionais devem seguir o mesmo padrão usado no aniversário. “Pretendemos humanizar as campanhas daqui para frente”, diz Márcia.
Ainda segundo ela, a campanha anterior, feita no ano passado, reflete as conquistas do jornal, entre as quais está o prêmio Top de Marketing da Associação de dirigentes de vendas e Marketing do Brasil, conquistado com apenas um ano e sete meses de circulação. No ano passado, uma pesquisa do instituto Ipsos Marplan revelou que 57% dos leitores da Folha em Pernambuco são exclusivos. A campanha usou adjetivos fortes como “disputado”, “craque” e “popstar” em animação com as cores fortes que representam o jornal.
Os dez anos da Folha também foram tema de homenagem da Assembléia Legislativa de Pernambuco e do Clube Caxangá Ágape. Para os que fazem o jornal, completar 10 anos é apenas um indicativo de muito trabalho e dificuldades pela frente.
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