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   Ano IX | 15 abr 2008 - 15 mai 2008 | n° 99 | Capa: MID Comunicação

     
MODA COM A CARA DAS RUAS
 
Paulo Azevedo
 
Álamo Bandeira

A coisa mais comum entre os estudantes de moda é começar a desenhar seus croquis inspirando-se nos grandes nomes da atualidade, nos desfiles de alta-costura. Tomando as modelos mais famosas como musas e tentando reproduzir, a partir do seu ponto de vista, o que acontece nas passarelas mais importantes do mundo. Afinal, essa seria uma forma de suas produções lotarem as prateleiras das lojas mais badaladas. Mas isso não acontece com todo mundo. Apaixonado por moda, o estudante de Design, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Álamo Bandeira sentiu-se estimulado a produzir uma moda diferente, usada nas ruas. Uma moda mais crua das subculturas, sobretudo, as ligadas à música eletrônica. Com isso surgiu a Dandy, uma grife vanguardista que faz roupas masculinas, cujo projeto iniciou incubado no departamento de Design.

O nome da grife vem dos próprios dândis, homens do século XIX que buscavam sempre ter um estilo de vida aristocrático, ainda que viessem da classe média, que Álamo define como os primeiros fashionistas masculinos da história. O público-alvo é o que se pode chamar de “os dândis contemporâneos” – garotos ousados, vanguardistas e apaixonados por moda. Não que suas peças conservem o visual aristocrático do século XIX; o que se conserva é a relação que os homens daquela época mantinham com o seu visual, assim como os compradores da Dandy.

Até o objetivo é outro; nada de vender peças como água em grandes lojas de departamento, Álamo quer conhecer os clientes para fazer peças que façam sentido. Ele começou fazendo roupas para amigos, que indicavam para outros amigos e assim produzia cada vez mais. Sentia falta disso, afinal todas as grifes de roupas mais ousadas eram sempre femininas, e os garotos consumidores de moda alternativa não tinham muita opção. A idéia central da Dandy é fazer roupas que tenham conceito, que façam sentido tanto para o cliente quanto para o estilista. Ele produz roupas jovens, com bastante inspiração nos espaços urbanos, nas culturas alternativas e na própria moda, mas esta última sendo interpretada de uma forma extremamente pessoal por parte do estilista.

Outra preocupação fundamental é o acabamento, que sempre é feito de forma impecável. “Um cliente meu já saiu pela rua com uma camiseta minha ao avesso, achando que ela tinha sido feita para ser usada dos dois lados”, comenta Álamo. “A intenção da Dandy é fazer roupas com qualidade, conceito e preço acessível”, completa. Por enquanto, as roupas são feitas apenas por encomenda. Quem ficou interessado, o contato pode ser feito através do e-mail: dandyurbano@gmail.com.


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