EDIÇÃO Nº 141 - ANO XII | DEZEMBRO / 2011


VOCAÇÃO PARA O SUCESSO

Otavio Moraes, presidente da CBS – Cedepe Business School, fala a respeito de qualificação e do perfil que o gestor deve apresentar para ser bem sucedido na carreira.


Anderson Lima

Natural de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, e um dos dez melhores gestores de Educação Corporativa do País, Otavio Moraes percorreu uma trajetória longa, árdua e repleta de relatos de sucesso em sua carreira. “Venho de uma família muito pobre e, da minha casa, fui o ‘filho que deu certo’. Talvez por ser filho único (risos)”, recorda Moraes. “Tive uma educação muito rígida e fui induzido a ser padre. Cheguei a frequentar o seminário, mas a vocação romântica foi mais forte que o sacerdócio”, diz. “Desde criança, a vocação de educador era exponencial em minha personalidade. Sempre meus colegas de classe pediam para orientá-los e diziam que ‘eu ensinava de um modo que eles compreendiam’”, completa. “Realizo-me ao ver que meus ensinamentos contribuíram para o desenvolvimento de uma pessoa. Sentir a capacidade de melhorar o outro me desafia e me inspira. Esse foi o Dom que Deus me deu e no qual eu me inspiro”, revela o profissional, que tem no exercício do foco um dos principais ingredientes de seu sucesso. “O caminho sem foco leva aos desvios do sucesso”, revela Otavio. Na entrevista a seguir, Otavio Moraes, presidente da CBS – Cedepe Business School, fala sobre qualificação, como estar preparado para aproveitar as oportunidades de negócio que têm surgido no estado e a respeito do perfil que o gestor deve apresentar para ser bem sucedido em sua carreira.

REVISTA PRONEWS – Graças ao atual momento econômico que o estado está vivendo, Pernambuco passou a chamar a atenção do restante do País tanto no que diz respeito à questão do emprego como de oportunidades de negócio que têm sido criadas. Nesse sentido, nossos executivos e gestores estão preparados para aproveitar satisfatoriamente essas oportunidades?
OTAVIO MORAES – Alguns sim, mas nem todos. Vejo muitos empresários dependentes da ação governamental, enquanto que outros sabem fazer o seu próprio caminho. Existem empresários e executivos que produzem sucesso e existem os que produzem justificativas para o seu fracasso. O curioso é que os que produzem resultados e superam obstáculos são os que mais trabalham e que estão mais bem preparados para sobreviver e desenvolver-se neste mundo competitivo. A competitividade ainda não chegou à nossa região e muita gente não está preparada para quando ela verdadeiramente chegar. Creio que o motivo é simples: aqueles que ‘dependem de ser amigos do rei para ter um assento na corte’, os que trabalham pouco e os que não se atualizam deixarão belas lástimas e histórias de justificativas para contar para seus netos, enquanto que os que trabalham com afinco e que se qualificam deixarão fartos patrimônios como legado e herança. Recomendo mais trabalho e muito mais qualificação para nossos empresários e executivos. O saber não ocupa espaço, mas o ‘não saber’ tira espaço. Muitos têm preguiça e não valorizam investir no aprendizado contínuo. Quem não dá valor ao aprendizado ainda não percebeu o custo da ignorância. Podemos observar o paradoxo que é exportar talentos e capital intelectual local para outros estados e países como pesquisadores e dirigentes, porém, em muito menor escala, enquanto ‘importamos’ executivos para dirigir projetos das novas indústrias que aqui se instalam por falta de qualificação em todos os níveis, do operacional ao dirigente. Qualificar-se é o caminho e para isso exige-se investir não só dinheiro, mas também muita dedicação. Há pessoas com a Síndrome da Cinderela, que ficam à espera da fada com a varinha mágica que resolva os seus problemas. Ninguém vai fazer por você mais do que você mesmo o faz.


RPN – Recentemente, o MEC anunciou que 39 faculdades pernambucanas não haviam obtidos notas satisfatórias em sua avaliação. Esse fenômeno está restrito à graduação ou as especializações e MBAs oferecidos no estado também podem não estar formando executivos capacitados para atuar satisfatoriamente no mercado?
OTAVIO – Hoje vemos uma indústria de diplomas que preocupa imensamente a sociedade. Nunca vimos tantos diplomados incompetentes e alguns que nem sabem definir o conceito de sua formação. Apenas possuem o diploma. Outro dia, eu entrevistei um candidato ao nosso MBA Executivo em Marketing. Como ele era diplomado em Marketing pedi para ele me definir o conceito de marketing e ele não conseguiu. Como o MEC não regula MBAs, quem regula é o mercado, temos muitos cursos fracos de pós travestidos de MBA. Muita gente perde dinheiro investindo em pseudo-MBAs e depois não terá retorno desse investimento. E até mesmo poderá ‘queimar’ seu currículo. Pós é pós; MBA é MBA; e MBA Executivo é outro conceito. Temos imenso orgulho de que o Cedepe é o único MBA de Pernambuco que está há onze anos consecutivos entre os dez melhores do país, em um universo de nove mil. Isso é um orgulho para nosso estado. Temos ótimos cursos em nosso estado, mas sem dúvida e conferido pelos rankings nacionais, o MBA Cedepe é o único de Pernambuco que figura ente os melhores do País. É preciso estar atento à propaganda enganosa que toma emprestado a avaliação de um MBA em São Paulo e induz ao executivo que aquele MBA auditado em São Paulo é o mesmo que está sendo oferecido aqui no Recife por algumas escolas. Recomendo que o candidato entre no site da revista VOCÊ S/A e da Folha On-line e identifique qual MBA do Recife foi objeto de pesquisa e que realmente foi avaliado como melhor. Há cursos bons oferecidos no mercado local, mas nosso curso e metodologia são muito melhores, porque nosso modelo está à frente dos modelos de ensino das outras escolas. As outras escolas estão revendo os seus modelos enquanto que o nosso é semelhante ao de Harvard. Recomendo que o candidato visite a escola, conheça e compare critérios de escolha, peça referência de egressos e consulte os rankings nacionais. Há bons cursos no estado e o resultado dependerá não só da escola escolhida, mas principalmente do aluno.

RPN – Ainda é preciso sair de Pernambuco, ou mesmo do País, para obter uma boa qualificação nesse sentido?
OTAVIO – Hoje não. Temos disponíveis no mercado cursos capazes de qualificar nossos executivos. Temos alunos que fizeram cursos no exterior e que atestam que aprenderam em nossos MBAs conhecimentos não adquiridos em cursos em outros países. Cursar em outro país agrega, mas não é tudo. Nossa realidade é diferente e há competências especificas e locais que desafiam nossos executivos. Tanto a concorrência como o Cedepe dispõem de cursos capazes de qualificar nossos executivos para as demandas atuais. Nós preparamos melhor, mas há um universo de cursos de bom nível no mercado local. Também há um movimento ativo para identificar e trazer para o mercado os cursos necessários. Em 2012, estamos ativando o IBADE – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Empresarial, que vai atender as demandas específicas para os CEOs e Presidentes de empresas.

RPN – No atual momento, que perfil o gestor precisa apresentar para o mercado e o que ele deve fazer para possuí-lo?
OTAVIO – Um perfil generalista. O candidato deve apresentar um excelente perfil técnico e comportamental. Qualificação técnica e habilidade no relacionamento interpessoal. Lidar com gente é um dos maiores desafios atuais. Nenhuma avaliação gera prognóstico. O máximo que uma avaliação gera é um diagnóstico. Tive um aluno que foi para uma entrevista em São Paulo e levou a sua monografia do MBA como item de avaliação e isso o ajudou imensamente a ser selecionado. Demonstrar a produção de excelentes trabalhos nas disciplinas do MBA é uma forma de apresentar o seu diferencial, mas isso só consegue o aluno que se dedica com afinco. Por melhor que seja a escola, se o aluno não fizer o seu papel não haverá resultado. Cursar um MBA é dedicar-se a realizar um projeto de vida.

RPN – Que papel instituições como o Cedepe possuem nesse sentido?
OTAVIO – O melhor papel que o Cedepe e que uma escola deve cumprir é o de acompanhar o aluno e orientá-lo, adverti-lo, elogiá-lo. Enfim, acompanhá-lo durante o curso para que seu projeto de vida seja concluído com êxito. E após a conclusão, continuar a apoiá-lo caso ele tenha sido um bom aluno e precise de apoio de recolocação no mercado. Um aluno não é para até o término da turma. Um aluno é para sempre. Ele carregará para sempre a sua marca no currículo e as competências adquiridas no seu dia a dia.



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