EDIÇÃO Nº 171 - ANO XV | JULHO / 2014


TEXTO E TECNOLOGIA A SERVIÇO DA INFORMAÇÃO

Lançamento é referência para webwriters de todo o País

Por Klever Schneider 

Numa era em que prender atenção dos internautas torna-se tarefa árdua, profissionais de comunicação ou marketing ganham mais um reforço para desvendar as transformações
tecnológicas e seus efeitos. O livro WebWriting - Redação para a Mídia Digital é mais uma daquelas obras de cabeceira necessária para qualquer webwriter. 

Ele é o autor do primeiro livro em Língua Portuguesa sobre este tema e elaborou para o Governo Federal, em 2010, o Padrão Brasileiro de Redação On-line. Porém foi em 2000, quando lançou ‘Webwriting-Pensando o texto para mídia digital’, que Rodrigues mergulhou neste universo.
Dando prosseguimento aos seus estudos, em 2006, escreveu ‘Webriting-Redação e Informação para Web’. Ao chegar ao terceiro livro, o escritor e pesquisador aprofunda e atualiza o assunto. São 120 páginas com orientações e técnicas válidas para entender, adaptar e acompanhar a evolução da escrita ao meio online.

Em quase duas décadas, Bruno Rodrigues faz um paralelo na forma como as pessoas aprenderam a lidar com a web. “As gerações que consomem conteúdo, desde então, estão cada vez mais exigentes. Queremos que as informações sejam apresentadas de forma extremamente objetiva e ao alcance de apenas um ‘enter’ de um mecanismo de busca. Gosto do termo ‘ferocidade’ no consumo das informações, que caracteriza bem este momento que começou lá atrás, no início do
século”, explica o autor. 

Segundo ele esse desenvolvimento da escrita e da leitura web em todo o mundo e no Brasil, está diretamente ligada ao comércio eletrônico e os noticiosos online. “E vale dizer que não estamos atrás em nada nesta área. Os principais erros vêm da dificuldade dos sites e portais criados
por estes segmentos - que acabam servindo de benchmarking para todos os outros - criarem documentos de padronização, e que eles sejam respeitados pelas equipes de publicação de conteúdo. Não é uma tarefa fácil”, enfatiza Rodrigues.

Em cada capítulo do livro, compreende-se a função do texto das primeiras páginas de grandes portais a blogs, e todas as outras camadas de detalhamento fundamentais para o sucesso de quem escreve. Quem ainda sofre para compreender SEO, Marketing de Conteúdo, Usabilidade ou Arquitetura da Informação, vai devorar as páginas desta obra. O webwriter vai encontrar lições por meio de metáforas, dicas práticas e capítulos dinâmicos, o que tornam bem mais prazerosa a sua leitura, principalmente àqueles que tem tempo curto e buscam informações relevantes para aplicá-las no dia a dia.

Especialista em informação para mídia digital e consultor em diversos projetos, o autor assinala algumas nuances entre a formação acadêmica brasileira e do restante do mundo em relação
à forma como encaram a escrita. “Aqui, o talento é resultado de experiência. Nos EUA e na Inglaterra, de experiência e na constante reciclagem em técnicas de redação. É uma pena, mas tenho pessoalmente trabalhado para que esta visão mude”, destaca Rodrigues.

Em um dos trechos do livro, o escritor destaca: “O texto – assim como sua alma, a palavra –, dá ao ser humano o que ele mais precisa da informação: o básico, o essencial, o principal.” Para Rodrigues, estamos lendo cada vez mais. “As gerações que cresceram vendo toda a série Harry Potter ser publicada são as mesmas que redescobriram ‘O Senhor dos Anéis’ e amam ‘Game of Thrones’. São estas gerações que aqui leem Thalita Rebouças, Eduardo Spohr, Raphael Draccon”,
reforça.

Ainda segundo Rodrigues, a internet aproxima os leitores de seus autores preferidos e as editoras de seus públicos. “É um tremendo erro achar que o meio digital destrói o fascínio pelos livros - pelo contrário, só o reforça”, ressalta.

Em relação ao pagamento para consumo de informações, Rodrigues diz que o mercado demorou quase uma década para perceber que esta seria a principal razão para o público aceitar gastar dinheiro com conteúdo. “As camadas de um site são ideais para se aprofundar o conteúdo, é sua essência”. Segundo o autor, desde 2011, este cenário tem se alterado e os grandes sites e portais trabalham constantemente para aprofundar as informações. “Nosso senso crítico está cada vez mais apurado e o mercado segue nesta direção, quem ainda não entendeu isso, não desenvolveu um bom trabalho”, explica.

Em relação aos sites brasileiros, o escritor enfatiza que é preciso distinguir um site que trabalha bem seu conteúdo de outro que se relaciona bem com o seu público. “Ter bom conteúdo não é garantia de que um site ou portal se relaciona bem com o público. Como profissionais, temos que ter muito cuidado para não misturar os 'canais'”, explica Rodrigues.

E o internauta, consumidor de notícias e que reivindica melhores informações e usabilidade, já impulsionam mudanças para os grandes portais. Um exemplo atual, segundo Rodrigues, é a versão online de 'O Globo', no ar desde primeiro de junho. “Eles mesmos deixaram claro que a maioria das alterações ocorreu por conta de testes de uso - e isso é notável”, elogia.

Quanto ao futuro, deve escrever um livro mais amplo, que também inclui Webwriting, programado para 2020. No momento, dedica-se ao primeiro livro de ficção, cujo deadline é dezembro. “Vontade de escrever é que nãome falta”, conta. Em agosto, Bruno Rodrigues participa da 23ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo, com sua recente obra WebWriting- Redação para a Mídia Digital (Editora Atlas).


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