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   Ano V | 15 agosto - 15 julho de 2004 | nº 58 | Capa: Italo Bianchi Comunicação
 
 
     
MÍDIA EXTERIOR NA CRISTA DA ONDA
Ivelise Gomes

Para alguns estudiosos do mercado, a mídia exterior é um dos meios de comunicação mais antigos do mundo, datando inclusive da pré-história quando os homens das cavernas passaram a utilizar a pedra para rabiscar nas paredes das grutas seu cotidiano e suas realizações. Estima-se que foi nesse período que a semente da propaganda ao ar livre teria dado seus primeiros passos, marcando o seu desenvolvimento juntamente com a história da humanidade. Isto porque, logo cedo, o homem teve que se utilizar dessa estratégia para divulgar suas idéias, seus serviços e seus produtos, em virtude da absoluta falta de condições tecnológicas durante os primeiros séculos para imprimir um jornal, ou montar uma emissora de rádio. Por isso, acredita-se que o outdoor teve forçosamente de ser um dos meios publicitários pioneiros utilizados pelo homem.

Mas, apesar de tão antigo, este meio não se tornou obsoleto e moldou-se através do tempo em conseqüência das necessidades da sociedade moderna a partir da formatação industrial do processo de trabalho das ditas mídias exteriores - cujo significado tradicional está relacionado à denominação genérica dos meios de comunicação que expõem propaganda ao ar livre. Assim como a mídia impressa (que inclui meios como revista e jornal) e eletrônica (rádio, televisão e internet), esta engloba diversas formas de veicular mensagens publicitárias, a exemplo do popular outdoor - formato composto por cartazes confeccionados por folhas de papel coladas em estruturas metálicas modulares de nove
metros de comprimento por três metros de altura. “A mídia exterior por si só é diferente dos demais meios de comunicação. Isto pelo simples fato de existirem diversas manifestações ou tipos, pois cada uma tem o seu valor e sua característica própria. A grande diferença está na busca incessante do profissionalismo e nas melhores formas de utilização de cada uma das manifestações da mídia exterior”, comenta o diretor-executivo da Central Outdoor - única entidade representativa do Meio Outdoor -, Cláudio Pereira.
Hoje, existem muitas outras formas de mídia externa que têm ajudado empresas e marcas a manter suas imagens e a conquistar novos clientes, tão ou mais importantes que o outdoor. Outra bastante comum é a fachada composta por um ou mais painéis, que apresenta a parte externa das instalações de uma empresa. Tem ainda o totem, que fica sobre uma estrutura de altura elevada trazendo o logotipo da empresa, quase sempre iluminado interna ou externamente; o front-light, que é um painel de dimensão variável com lâmpadas que iluminam a mensagem frontalmente; e o backlight, um painel translúcido com as mesmas características acima, só que com iluminação interna. E as opções não param por aí. O setor tem investido cada vez mais em alternativas diferenciadas para se manter sempre em voga para os anunciantes e para o público. “Nos últimos anos, são grandes as diversificações de produtos/serviços da mídia exterior, mais especificamente no outdoor onde temos o cartaz impresso em lona, além dos já conhecidos e aplicados no mercado como os apliques”, lembra Pereira.

Ousadia - Além de importante, a diversificação é essencial para um mercado que engloba um quantitativo de empresas superior a qualquer outro meio do universo das mídias. A Central de Outdoor mantém atualmente um cadastro de 1.180 exibidoras associadas em todo o Brasil, com 37.112 quadros de outdoor em 727 cidades, que cobrem 75% do potencial econômico de consumo nacional. E é por isso que, semelhante à propaganda eletrônica, a mídia exterior tem emplacado muitos cases que tentam sobressair, cada vez mais, em meio a esse boom de empresas e ofertas
de serviços, a partir do volume de espaços ocupados ao mesmo tempo, do impacto que geram e da originalidade de suas estratégias desenvolvidas juntamente com ousadas agências de publicidade. Um exemplo dessa reflexão positiva sobre o mercado é da carioca Publishopping, especializada em publicidade em shopping centers, que anunciou a montagem de uma rede com 60 painéis de publicidade indoor, que serão veiculados semanalmente nos centros de compras onde a empresa atua no Rio de Janeiro: Shopping Riosul, Madureira Shopping, Bay Markt Niterói e Paço do Ouvidor Centro. Mas, a grande sacada no mercado foi da New AD, empresa especializada em mídia indoor, que anunciou recentemente a expansão de sua atuação no Brasil a partir da inauguração de novas filiais (no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em Salvador) e da oferta de seus serviços nas praças de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Goiás e Distrito Federal, através de parceria com empresas de mídia exterior.

A projeção dessa mídia está tão ampla no mercado nacional que os resultados da movimentação já podem ser vistos, através de novas restrições públicas em vários municípios embasadas pela lei contra poluição visual. Esse golpe foi trazido novamente à tona com a sanção da Lei Municipal nº 3.764 do Rio de Janeiro (município que gasta cerca de R$ 200 milhões por ano na remoção de materiais afixados), no qual o prefeito César Maia veta publicidade em áreas públicas previstas no projeto do vereador Carlos Bolsonaro (PTB): postes, monumentos, parques, postes, jardins, árvores, praças e viadutos da cidade.

Remando contra a maré, empresas do Nordeste têm apostado na comunicação e na parceria com o poder público para evitar cair na rede das restrições. “A cada ano que passa o mercado de outdoor no Nordeste vem se profissionalizando rapidamente, a ponto de o outdoor na cidade de Salvador ser o ponto de referência em qualidade para todo o Brasil. Outras cidades do Nordeste já estão começando a seguir Salvador”, afirma o diretor-executivo da Central. Em Salvador, o maior destaque e a maior evolução na mídia exterior foi o outdoor, em função da qualidade da sua estrutura física, do setor de impressão e da maneira profissional com que as empresas operam.

E isso só foi possível porque a Seccional Bahia da Central de Outdoor desenvolveu junto à Prefeitura de Salvador um trabalho de adaptação às normas exigidas e firmaram acordos mútuos que beneficiam o setor. E, graças a essa estratégia, a população baiana e os governos são grandes admiradores do outdoor em Salvador. “Hoje, conseguimos uma cobertura geográfica do outdoor bastante eficiente na Bahia. E, com isso, podemos oferecer aos nossos clientes quantidade de pontos e alta qualidade de serviços, que garantem nossa liderança no mercado local”, destaca José Linhares, diretor-comercial da A.Linhares, empresa fundada por Aderbal Linhares
(em 1931), que opera com outdoor, lightdoor, tridoor, empenas, front lights e painéis.

Parceria - Atuando desde 1931, a A.Linhares aposta como principal ação para conquistar o anunciante num serviço com alto padrão, e uma qualidade superior de venda e pós-venda. “Quando um cliente contrata a nossa empresa, ele tem a tranqüilidade de estar entregando a imagem do seu produto para ser anunciado de uma maneira eficiente, séria e altamente profissional. E, por isso, mantemos o melhor relacionamento possível com os mídias e agências, pois os consideramos nossos verdadeiros parceiros”, diz José Linhares. Enquanto isso, a sua colega pernambucana, Bandeirantes Mídia Exterior, move mundos e fundos visando um faturamento de R$ 28 milhões.

“Temos diversas ações como o Informativo da Bandeirantes com tiragem de 18.000 exemplares; planos especiais para utilização conjunta de diversas mídias; atuação regional com possibilidade de estabelecer pacotes em qualquer um dos estados de nossa atuação; diversas campanhas de valorização da mídia e da empresa; e visitas periódicas ao mercado em geral, mostrando o retorno que nosso veículo proporciona, a baixo custo de impacto”, enumera Mauro Santos, um dos diretores regionais da Bandeirantes, fundada por Pedro Murilo Santos e que atua há 48 anos no mercado. A empresa, que começou suas atividades com painéis urbanos e rodoviários, dispõe hoje de ampla diversificação de produtos e serviços, todos voltados para a mídia exterior, que vão desde material de ponto-de-venda e luminosos (toplight e front-light) a fachadas de lojas, painéis (rodoviários e eletrônicos) e estandes para feiras e exposições. “Devido as nossas ofertas e da qualidade dos serviços, temos a liderança de mercado nos estados de Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte”, diz Mauro.

A Rota Mídia Exterior é outra empresa de destaque no setor que envolve os profissionais das agências e os anunciantes para conquistar espaço no mercado, através do constante contato de transmissão de informações sobre seus serviços e produtos e recentes pesquisas que avaliam a eficácia da propaganda. Atuando no mercado há 18 anos, ela oferece a nove cidades do Nordeste produção e veiculação de adesivos de campanhas publicitárias em backbus (traseira total), outbus e lateral central (em Salvador). “O nosso produto circula por todos os bairros e avenidas das cidades, portanto o outbus é uma mídia que consegue atender 100% todos os segmentos com eficácia comprovada”, enfatiza o diretor-comercial da Rota, Ângelo Borella. E, por isso, aposta no serviço de qualidade para atingir um crescimento de 30% em relação ao ano passado, uma vez que a propaganda em ônibus representa uma mídia de baixo custo por benefício e que é apontada pelas pesquisas como a segunda com maior índice de recall entre o público.
     
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